Portugal
O Alentejo é o grande vazio de Portugal. É uma das zonas menos povoadas do país, e a paisagem chama-se montado: sobreiros e azinheiras dispersos por pastagens e searas de trigo, onde o trigo, a cortiça, o azeite e o vinho são as indústrias pesadas. O que veem pela janela do carro é agricultura em funcionamento e não um cenário. Évora tem o centro histórico na lista do Património Mundial da UNESCO desde 1986. A oriente fica o Alqueva, o maior lago artificial da Europa Ocidental com 250 km2, represado desde fevereiro de 2002 e cheio até à cota prevista em janeiro de 2010. A sudoeste estende-se um troço de costa dentro do parque natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, território e mar protegidos sob gestão do ICNF.
Vocês voam para Lisboa ou para Faro. Beja tem, é certo, um aeroporto fora da cidade, aberto ao tráfego civil em 2011, mas não tem serviço regular de voos de passageiros e serve sobretudo para estacionamento e manutenção de aeronaves. Risquem-no da lista. O aeroporto de Lisboa fica dentro da cidade; Évora fica a cerca de 140 km e o percurso faz-se todo por autoestrada, o último troço na A6 com portagens. O aeroporto de Faro fica logo a oeste da cidade, movimentou cerca de 10,4 milhões de passageiros em 2025 e é a entrada sensata para o sul do Alentejo. Os tempos de viagem variam demasiado para lhes darmos um número, por isso planeiem pelas distâncias e perguntem ao espaço escolhido. O alojamento é o ponto onde mais casais se enganam: nas estatísticas mensais oficiais do turismo em Portugal (INE), o preço médio por quarto ocupado no Alentejo em pleno verão tem estado entre os mais altos do país, atrás apenas do Algarve. O alojamento aqui não é a alternativa barata à costa. O que custa o resto de um casamento em Portugal fica em quanto custa um casamento em Portugal.
Não existe nenhum registo oficial de espaços para casamentos no Alentejo, por isso deixem que seja a paisagem a descrever a oferta, e não o marketing. O que aqui há são as explorações agrícolas: herdades, quintas, adegas e montes recuperados, ou seja o centro de trabalho de uma exploração em atividade. A entidade regional de turismo promove praias, património mundial, ar livre, gastronomia e enoturismo, e publica um guia dedicado só ao enoturismo, o que diz alguma coisa sobre o tipo de propriedade que está habituada a receber visitantes. A consequência para vocês é estrutural: com tão poucas pessoas por quilómetro quadrado raramente há uma cidade cheia de hotéis ao virar da esquina. Ou os convidados dormem na herdade e vocês fazem um fim de semana inteiro, ou toda a gente tem de conduzir. O formato fica assim decidido na prática antes de terem escolhido seja o que for, e a lógica é a mesma de um fim de semana de casamento em Portugal.
O caminho legal começa numa conservatória do registo civil ou num consulado português. É aí que se abre o processo preliminar de casamento, e é essa a única entrada, quer a cerimónia seja civil quer católica. Depois de a autoridade emitir a autorização, esta vale seis meses, e o casamento tem de caber dentro dessa janela. Se um de vocês não tiver nacionalidade portuguesa, tem de apresentar um certificado de capacidade matrimonial do seu país de origem, válido no dia do casamento, além do passaporte e de uma certidão de nascimento recente. Os documentos estrangeiros precisam normalmente de apostila e de tradução certificada. Esse certificado é emitido pelo registo civil ou pela autoridade equivalente do país de origem, por isso perguntem-lhe quanto tempo demora, durante quanto tempo é válido e se precisa de apostila. Confirmem cedo, junto da conservatória que vai tratar do processo, exatamente que documentos estrangeiros aceitam, em que forma e com que tradução, e perguntem à autoridade do país de origem como se regista lá o casamento depois.
Dois pormenores decidem se a cerimónia com efeitos legais pode ser feita onde vocês realmente a querem. O primeiro é a taxa. Segundo a tabela de emolumentos do registo civil, o processo e o registo custam 120 EUR, enquanto a taxa passa a 200 EUR se, a vosso pedido, a cerimónia se realizar fora das instalações da conservatória, ou nas instalações mas fora do horário normal de expediente, ou seja sábado, domingo ou feriado. A tabela já foi alterada várias vezes desde que entrou em vigor, por isso peçam o preço atual por escrito. A deslocação do conservador é tratada e paga por vocês à parte. A lei permite portanto uma cerimónia civil vinculativa numa herdade, mas é o conservador que a celebra, não a herdade nem um celebrante independente. O segundo pormenor é que nenhuma fonte pública diz com que frequência um conservador português se desloca de facto ao campo, nem com que antecedência isso tem de ser pedido. É aí que está o maior fosso entre o que é legalmente possível e o que é realmente reservável, e é uma pergunta a fazer à conservatória certa antes de fixarem a data. A cerimónia decorre além disso sempre em português e, se algum de vocês não perceber a língua, tem de estar presente um intérprete, participar no ato e assinar o assento nessa qualidade. A escolha entre uma cerimónia vinculativa no local e a parte jurídica tratada em casa é o tema de casar em Portugal, legal ou simbolicamente.
A época segue exatamente as normais climatológicas. Em Évora, a normal climatológica 1981-2010 do IPMA dá uma temperatura máxima média diária de 21,9 graus em maio, 27,4 em junho, 30,6 em julho, 30,5 em agosto, 27,2 em setembro e 21,6 em outubro. A precipitação desaba no verão, 16,6 mm em junho, 3,9 mm em julho e 7,7 mm em agosto, e regressa com força no outono: 82,9 mm em outubro, 85,9 mm em novembro e 91,9 mm em dezembro. Beja, mais a sul, é mais quente: a sua máxima média de julho na mesma série é de 33,3 graus, e já registou 45,2 graus em julho e 45,4 em agosto. Na Amareleja, no concelho de Moura, distrito de Beja, chegaram a medir-se 47,4 graus. O calor aqui não é uma frase de brochura. Sobram três janelas utilizáveis: maio, a primeira metade de junho e de meados de setembro ao início de outubro. Nessas alturas as tardes são quentes sem serem perigosas e a chuva, na prática, não aparece. Julho e agosto funcionam em termos puramente técnicos, mas com tardes acima dos 30 graus é o calor que dita todo o horário. Do fim de outubro a março é a metade húmida do ano. Mais uma coisa sobre o outono: a vindima alentejana é das mais precoces do país e pode estender-se de agosto a setembro e outubro. Uma data de setembro numa herdade que faça vinho a sério pode portanto chocar com a vindima, e essa é a semana mais importante da casa, não a vossa.
Depois há regras que vos obrigam mesmo e que os casais descobrem muitas vezes tarde de mais. A lei portuguesa dos incêndios rurais, o Decreto-Lei 82/2021, define um período crítico que decorre normalmente de 1 de julho a 30 de setembro e que o governo pode prolongar, como já fez em alguns anos até 31 de outubro. Durante esse período, os foguetes e os balões de mecha são proibidos, e o restante fogo de artifício exige autorização prévia da câmara municipal. Nos dias de risco de incêndio muito elevado ou máximo, as queimas e o lume ao ar livre são proibidos no espaço rural, e só é permitido fazer lume em locais expressamente preparados para isso. Isto não é uma recomendação, é uma proibição. Além disso, é necessária autorização do ICNF, ao abrigo do Decreto-Lei 169/2001, para abater ou arrancar sobreiros e azinheiras, e isso vale também para árvores isoladas. O sobreiro que faz a fotografia não pode portanto ser cortado para a tenda caber; é a tenda que se adapta à árvore. Música até tarde ao ar livre é igualmente assunto da câmara e não da herdade: uma atividade ruidosa temporária fora dos horários permitidos exige uma licença especial de ruído da câmara municipal, ao abrigo do Decreto-Lei 9/2007, e é a câmara que fixa as condições. Os horários aplicáveis são decididos localmente, por isso peçam a resposta por escrito em vez de confiarem num número que ouviram.
O que perdem em relação ao Algarve, a alternativa óbvia dentro do mesmo país? Sobretudo comodidade para os convidados. O aeroporto de Faro fica mesmo ao lado da cidade, movimentou cerca de 10,4 milhões de passageiros em 2025, e a partir dali os convidados podem juntar uma semana de praia sem terem de se deslocar. No Alentejo tudo se faz de carro, a região não tem voos regulares de passageiros nenhuns, e o preço não é a compensação que muitos esperam: em pleno verão, os preços dos quartos de hotel aqui só têm ficado atrás dos do Algarve. Se escolherem a costa a sudoeste, o espaço fica ainda dentro de um parque natural gerido pelo ICNF, e o que ali se aplica a tendas, viaturas e som amplificado tem de vos chegar por escrito do próprio espaço, porque as regras do parque não estão reunidas em lado nenhum que vocês possam consultar por conta própria. O que ganham em troca é o vazio, uma paisagem que os vossos convidados não viram nas fotografias de mais ninguém, o centro histórico de Évora como passeio de um dia e a zona do Alqueva, que se promove pelo seu céu noturno. Se quiserem pesar o Alentejo contra outras zonas do país antes de decidirem, comecem por onde casar em Portugal.
Casais que querem que todos os convidados durmam no local
€6 000 - €18 000
Évora e Alqueva reúnem o maior número de herdades com alojamento próprio. Contem com hora e meia a duas horas de carro a partir de Lisboa. Julho e agosto ficam muito quentes no interior, por isso maio, junho e setembro são mais confortáveis.
A melhor época para casar em Alentejo é normalmente maio-outubro. Évora e Alqueva reúnem o maior número de herdades com alojamento próprio. Contem com hora e meia a duas horas de carro a partir de Lisboa. Julho e agosto ficam muito quentes no interior, por isso maio, junho e setembro são mais confortáveis. Tenham em conta que os fins de semana de época alta são muitas vezes reservados com 12 a 18 meses de antecedência, por isso comecem cedo se tiverem uma data definida.
Um casamento em Alentejo custa em média €6 000 - €18 000. Uma cerimónia intimista fica na parte baixa do intervalo, um casamento médio de 30 a 50 convidados a meio, e uma festa maior, com mais convidados ou ao longo de vários dias, na parte alta. A viagem e o alojamento dos convidados acrescem a estes valores.
Sim, relativamente fácil Para saber que documentos são exigidos e como o casamento é registado no vosso país, consultem o nosso guia de casamentos legalmente válidos no estrangeiro.
Alentejo adequa-se especialmente a Casais que querem que todos os convidados durmam no local. Entre os pontos altos estão Grandes herdades, Alojamento para todos, Poucos turistas. Seja qual for o estilo, vale a pena visitar o local com antecedência, ou trabalhar com um coordenador local que saiba recomendar o espaço certo para a vossa ideia.
Recomendamos o Alentejo a casais que queiram um fim de semana numa herdade em atividade e não um dia num espaço de eventos, e que aceitem que os convidados vão conduzir cerca de 140 km ou mais desde o aeroporto. Serve-vos se escolherem paisagem, vinho e vazio em vez de praia e acessibilidade, e se tiverem paciência para um processo em que é a câmara municipal que decide sobre fogo e música e em que é preciso convencer um conservador a deslocar-se até vocês. Ponham o Alentejo de lado se os convidados precisarem de resolver alojamento e transporte por conta própria, ou se procuram um Portugal mais barato: em pleno verão, os preços dos quartos de hotel aqui têm estado entre os mais altos do país. Marquem a cerimónia para maio, início de junho ou de meados de setembro em diante, e confirmem a vindima com a herdade antes de fixarem a data.
Equipa editorial, Casamento no Estrangeiro · Atualizado: outubro de 2026
Recebam propostas de fornecedores locais em Alentejo.